27 de ago de 2013

Supersinceros?


Quando ouço alguém dizer que é sincero a ponto de ser interpretado como insensível e até estúpido, fico logo de orelha em pé. E quase sempre, observando um pouco mais, não tenho dúvida: não é que confundem, é que a pessoa é grossa mesmo. Até porquê sinceridade não precisa ser sinônimo de ferimento -mesmo que se encontre em algumas vezes sob a guarda da verdade.
E posso garantir: não são poucos os que assim procedem, ferindo...
Principalmente quando a tal da sinceridade é para conquistar forçosamente o rótulo de uma questionável autenticidade.
De fato, é verdade que existem muitos que admiram essa forma de falta de bom senso, mas é aquilo: gosto é gosto. E existir alguém além dos estúpidos que se afine com suas atitudes, de forma alguma garante que as mesmas sejam boas. No meu planeta, autenticidade nem sempre é coisa boa, assim como ser sincero nem sempre é falar a verdade.
"Mas eu sou assim: falo na cara mesmo"... Pois bem, que assim seja então. E que receba as consequências da ação, pois como diz o antigo ditado: quem planta ventania, colhe tempestade. Depois não reclame da vida, da insensibilidade, da falta de um ambiente equilibrado ou da frieza alheia. (Para muitos, vestir uma armadura de espinhos é o melhor modo de não ser incomodado, ou ainda, de fazer sua intransigência seguir curso violento, em lugar de uma reforma íntima -muito mais trabalhosa, diga-se de passagem.)
Porém, de forma nada surpreendente (mas absolutamente humana) ser supersincero tem seus momentos de conveniência, é claro.
Num destes, os mesmos que se autointitulam supersinceros, sabem bem selecionar seus instantes de impulsividade na hora de expor o que sentem. Como por exemplo quando o que está em jogo é despertar a atenção de quem lhes interessa a proximidade.
Com assuntos referentes ao coração então, nem se fala!
Virou-lhes tamanho vício esse agir que não se percebem mais sem qualquer poder de iniciativa em outro sentido. E insistem em exigir que a disposição que lhes falta surja do outro lado. Mais: desejam ardentemente uma reação sem ação.
E tome de encher a atmosfera de indiretas...
Muitos defendem-se sob a justificativa de timidez quanto às sentimentalidades, vá lá... Mas a verdade é que atualmente, estes tais convenientes, quando pensam em dizer o que sentem, se imaginam de cara como alguém nu diante de uma multidão de vestidos.
E todo mundo sabe que enquanto nus, não temos como esconder nossa humanidade. Nossas fragilidades - segundo a opinião pública- são na verdade fraquezas, falhas, imperfeições -coisas inaceitáveis, por mais humanos que ainda sejamos.
Do outro lado, estão os vestidos: super-heróis na mais perfeita aparência, protegidos pela indumentária da falsa identidade. Nenhuma insegurança, nenhuma infâmia e nenhum sentimento também.
...
Tenho acompanhado a saga destes super-heróis supersinceros, tão miseráveis e vis quanto eu. Fernando Pessoa tinha razão... Tanto nas redes sociais do convívio real quanto nas do mundo virtual, cada currículo e cada perfil transformam-se em palco de ilusões e pretensões, fazendo de pessoas comuns, personagens sobre-humanos, com fictícias e invejadas vidas ideais. Incapazes porém de serem sinceros quando fora da sua área de conforto.
De que adianta, se quando de perto, ao toque das mãos, a verdade não se sustenta? Conheço-os!
Qual a vantagem de dizer que não se importam, quando a cada indireta, mais parecem se importar? Por que tanto se escondem então?
...
A verdade é que todo mundo esquece que ao mesmo tempo em que tanto nos cercamos de pessoas para parecermos queridos, angariamos também sem perceber testemunhas-chaves das nossas contradições.
...
Em tempo: queria agradecer aos amigos Roberto Augusto Schröder, Ludmila de Castro, Ariana Silva, Mari Dante -de Angola!- e Maria Paula Novoa pela lembrança e carinho de sempre! E dizer que não abandonei o blog. Jamais o faria! Não tenho é tido tempo de postar apenas, pois escrever, escrevo todo santo dia. Enquanto na viagem do ônibus, esperando para atravessar a rua, nas filas inevitáveis... em qualquer espaço de tempo que apareça -e que uma ideia se apresente- estou sempre sacando meu celular e "largando o dedo". Fiquem tranquilos...
(Ass. Um carioca muito lisonjeado)

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