28 de jul de 2013

Disfarces (in)úteis


Descobri o seu segredo sem que precisasse me contar.
Foi melhor assim, pode acreditar...
Na sua exuberância, a discrição absoluta prevaleceu.
Há uma linguagem própria que finalmente -sorvete na testa!- o lerdo aqui entendeu.
Você, depois que finalmente compreendeu-se, aceitou-se, assumiu-se, relaxou seu coração.
Até encontrou alguém como você, com suas diretrizes, suas preferências, sem mais ilusão!
Por isso é que sua mudança foi de botão à flor em curto instante.
Triste, meu coração ficou sabedor de que não havia argumento externo forte o bastante.
Nada que lhe vencesse a natureza íntima por fim esclarecida.
E que descobrir-se - mais que desnudar-se - é o caminho da vida.
Nem mesmo o sentimento que cultivei com tamanho carinho resolveria.
Tudo iria para por água abaixo, sem mais apreço algum, sem qualquer valia.
O chão faltou-me, o sentido se perdeu.
À princípio, fiquei vazio, fraco, distante... doeu.
Quis me revoltar, mas de que adiantaria?
Onde guardar tudo aquilo o que sentia?
Disposto estava a atravessar o continente a te revelar...
Quase me precipitei, prestes a te contar.
Escolhi a dedo justamente quem jamais me quereria, como sempre faço e cismo.
Ficaria com cara de tacho, tonto de cegueira - como fico quando tocado de platonicismo.
Não precisei perguntar...
Bastaram dois e dois, e somar.
Mas sabe o que me salvou do fim?
Foi perceber o quanto você feliz estava enfim.
Pois que acima de tudo, é merecedora de todo bem que o mundo pode oferecer.
Isso é inquestionável, você tem mérito de sobra com sua obra, tanto por receber.
Eu que me foda no novo recomeço... É a vida.
Queria muito que você me considerasse como opção... Mas se não dá, não dá, querida.
Seu olhar não mente e eu não sou mais criança pra levar isso adiante.
Fazer o que por você? Que eu me levante!
Desejar-te o bem! Do fundo do meu torto coração...
Vai ser feliz com quem ama e te ama com razão!
Guardo de você algumas fotos e uma inútil esperança passada.
Que amanhã logo cedo -creio firmemente!- já não me seja tão pesada.
Não entendia até então qual o motivo da agonia que com força me tomava.
Pois que não conseguia fechar a questão, o sonho de nós dois não alinhava.
Agora sim, que tudo se fechou, posso reduzir a adrenalina.
Aproveite que gosta muito de você, aquela menina.

Você, no silêncio do seu olhar,
Mostrou guardar n'alma,
De doçuras um imenso mar.

Vida que segue!

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