9 de nov de 2009

Madrugada

É na madrugada que os medos são mais evidentes.
Que as dores (a)parecem muito mais sofridas.
É quando o desespero bate à porta dos errados, dos falhos, dos causadores do mal.
É quando o algoz lembra da sua vítima.
Que por conta da sua própria ação, fez sofrer e sofre junto.
Não sabe ele mais sobre o seu rastro. Se ainda sofrem ou se conseguiram esquecer tudo, superar.
Ele não. Perseguido por ele mesmo. E faz questão disso.
Não importa se estava acometido por alguma insanidade momentânea ou qualquer outro desequilíbrio. Ele SABE que nada disso importa ou justifica o que aconteceu.
Fazer sentir dor e, consequentemente, empurrar o mundo de quem sofreu pra mesma dor, está acima de toda ponderação.
Sabe que foi (ir)responsável. É merecida a punição de agora.
Sabe só que dói.
Deus sabe das sua lágrimas nessa madrugada. Da angústia que o toma -e doma- o coração do monstro confesso. Mas ele não O quer por perto... não quer Seu testemunho. Sente-se ascoso, indigno.
Sofre com a maior decepção que poderia ter tido na vida: ser traído por ele mesmo.
Nem a vergonha da descoberta lhe causa tamanho impacto, tamanho sofrimento.
Se enganou então, se entristeceu... Se fecho. Emudeceu. Morreu.
Tudo numa madrugada.

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