8 de jun de 2013

A minha receita

Ter razão é tão relativo...
Apesar da minha fama de anti-social, da cara feia e das intenções nem sempre claras... gosto muito de companhia, de boa conversa, de bons amigos, de carinho, de contar alguns causos, de ouvir um tanto mais... (Talvez porquê eu ainda seja humano, né.)
Mas pra pensar, pra refletir mesmo na vida, meditar, só estando só. Não tem jeito. Eu comigo e mim mesmo. (E olha que sou cercado por grandes filósofos da vida prática, sinceramente queridos, amados, inteligentes e de coração aberto. Não tenho do que reclamar, graças a Deus.)
Esse sábado dei vazão ao meu lado distante. Sai sozinho à noite, pra dar uma volta e pensar solto por aí. Me fui uma boa companhia, pode acreditar.
O olho do furacão anda ao lado, o tempo todo. Não é segredo que a coisa não caminha fácil.
Mas sendo repetitivo, olhando direito, sendo bastante sincero, estou bem.
Essa semana li num livro, um trecho que dizia: "sou feliz, pois confio, espero, amo."
Tão simples, tão sincero, tão real, que me identifiquei.
Muita coisa mudou desde que parei de ficar caçando a felicidade como um ponto futuro. Tenho tentado apenas ser feliz. O caminho é esse.
Confio na justiça maior, na inteligência suprema, logo tenho esperança infinita.
Sempre espero o melhor, mesmo preparado pra tudo - inclusive pro pior.
Amo. Amo essa vida, com todas as dores, todos os ingredientes. A maioria -os mais amargos- eu mesmo os acrescentei. Mesmo assim, amo. Sinceramente.
Isso não significa que apagou-se tudo o fiz, os erros que já cometi ao longo da minha estrada. Confesso que apesar de tudo, por incrível que pareça, não desisti de mim. Está tudo aqui dentro, guardado, me fincando os pés na realidade de que não sou santo, de que não estou a salvo da minha consciência.
Recentemente inclusive, tive de tocar novamente em assuntos que tive certeza do quanto ainda me são feridas abertas. Mas faz parte da vida também. É necessário, é o preço. A dívida existe e será paga assim que quiserem receber, pois creia que, em algumas vezes, a gente erra tão feio, que o lado prejudicado sequer pensa em aceitar reparação. E com razão. Mas sinto, do fundo da minha alma, que a cada dia, estou mais preparado pra saldar o que devo. E no momento em que a cobrança vier, será à vista. E vou jogar a responsabilidade pro outro lado do muro.
Nem significa que fiquei frio com as dores dos amores que me cercam. Muito pelo contrário. Mas me dói mais perceber que lhes falta justamente essa confiança nas leis da vida, nas horas cruciais. Perderam grande parte da vida fugindo de si, de pensar no porquê da vida, das consequências, das dores... Agora estão moralmente enfraquecidos, incapacitados de ver a luz no fim do túnel.
Fora isso, são muitas vivências, muitas experiências. Momentos complicados, duros, ásperos, mas também de muito aprendizado, de compreensão e superação.
Agora já não me importam tanto as limitações físicas e materiais que me cerceiam. Aprendendo a agir de dentro pra fora, a gente descobre que esses recursos são parcialmente dispensáveis. Como tanto dizem por aí, a felicidade não entra em portas fechadas. Então abra o seu coração.
E com o meu, tão cheio de esperança, vibrando de confiança não apenas no amanhã, mas no segundo seguinte...
Com a cabeça repleta de ideias - jorrando tanto que por vezes sequer me deixam dormir...
Com a vontade que oferece a possibilidade de ir, de fazer, de ser...
Com a disposição de começar e recomeçar, renovar, modificar e transformar...
Vislumbro a alegria dessa vida tão por mim castigada.
Aprendendo a ouvir o que for sincero, a compreender sem restrições, a perdoar quem errou por amor.
Não existe força equivalente ou superior à verdade.
Ser otimista não é viver de ilusão - como os pessimistas se iludem em pensar...
Com tudo isso em mãos, é impossível conseguir não ser feliz.

"Alegria compartilhada, é dupla alegria. Dor compartilhada, é meia dor."
(Tiedge, Christoph August - poeta alemão)

Nenhum comentário:

Postar um comentário