30 de mar de 2013

MASNA: Mesmice Anti-Social Não-Assumida

Por mais que muita gente pareça levar uma vida social invejável -e que outros tantos ainda façam de tudo pra mostrar que possuem uma minimamente razoável- pode acreditar: conforme a gente se aproxima das pessoas, percebe que todo mundo é muito parecido quanto à falta de vida social pós-chegar-em-casa.
É até engraçado que durante a semana, a maioria faça questão de gritar que espera ardentemente pela sexta-feira, dando tudo a entender que esse dia marca o começo de uma série de atividades "incríveis" no fim de semana. Só que quando a gente chega junto, vê que esse cardápio de opções sequer existe, que tudo é apenas um blefe de quem não quer ficar pra trás nessa competição silenciosa onde vale mais o fazer de conta que o mundo real, e que precisa despertar alguma impressão de admiração na segunda linha das amizades -cuja parcela numerosa é composta por conhecidos, colegas e alguns potenciais inimigos não-declarados. A partir do momento em que a gente é promovido do coleguismo ao amiguismo -passando para a primeira linha- e chega perto, descobre exatamente que não existe nada daquilo que se expõe.
Aquela pessoa que gosta de mostrar que pode tudo, muitas das vezes pode menos que nós. E tem também aquele lance de querer empolgar os outros para ser sempre convidado, apesar de muito raramente aceitar. Parece coisa de quem gosta de ser bajulado, ou de carente acomodado que precisa de alguém que lhe acompanhe os momentos de clausura -desde que cada um na sua casa, claro.
E se aquele que o convida decidir ficar em casa também (por "solidariedade"), melhor ainda. É perfeito. Você sinceramente preocupado e outro apenas sendo egoísta -sem deixar cair a cortina da hipocrisia pra platéia.
Alguns têm a justificativa do cansaço, outros dos filhos, ou até mesmo da preferência de ficar quieto em casa. Acho mais que justo. O que eu reclamo é do fato de por que não assumir isso de forma franca? Quando se descobre essa realidade, a mesma é assumida quase que sob o tom da vergonha, muito diferente daquela imagem que se tenta vender na autopropaganda. Por que é tão difícil assumir para todos a nossa mesmice? Que mania mais tola de querer ficar em evidência às custas de mentira...
Pior é querer fazer aos que estão à volta acreditar que seu mundo é valioso o suficiente para fazer alguém largar tudo para lhe acompanhar no cotidiano... "-Seu mundo anda chato? Larga daí e vem pro meu lado..." - Tá bom... vai nessa, amigo! E o pior é que tem inocente que acredita na propaganda enganosa e cai dentro dessa roubada. No fundo, é tudo pra você ficar fazendo companhia, dividindo a monotonia alheia, muitas das vezes por pura acomodação.  Aprenda que esse pessoal só faz alguma coisa mesmo em último caso, quando interessa tirar uma foto e postar na rede social pros "amigos" curtirem com inveja.

Noutra noite, estava lá, com dois amigos e três conhecidas comuns, tomando chopp num pé-sujo na Taquara, e um deles, o tempo todo recebendo mensagens pelo celular:
-Chamei essa menina pra sair e ela não quis, inventou uma desculpa qualquer... Pensou que eu ia ficar em casa, batendo papo com ela pelo skype, fazendo companhia pro marasmo dela. Como eu vim, agora fica me mandando mensagenzinha de que está só em casa, tadinha... Ah, vai se f...

Tá errado não.
...
E eu, que sempre me achei o mais sem vida pós-rotina entre os conhecidos que se fazem de baladeiros, já descobri que não estou tão mal assim, visto que apesar de todas as limitações que tenho, ainda consigo sair de casa, tomar um chopp, pegar um cinema e bater um papo, passando as noites de sexta e sábado sem pelo menos ter que ficar na internet vasculhando o perfil virtual alheio.
...
Por sinal, ontem, finalmente assisti A Busca, com o grande Wagner Moura. Filmaço cabeça que eu recomendo!

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