28 de mar de 2013

Em caso de não ter a dizer o que acrescente, vigie e cale

-Soube que aquele fulano da novela é gay também... Nossa, como tem gay por aí...

-Francamente não levo nada disso a sério. Pra mim é tudo boato que nasce contando justamente com quem tenha o hábito de levá-lo adiante.

-Ah, sei que não coloco a mão no fogo por ninguém...

-Pois eu já prefiro optar pelo caminho de que ninguém é culpado até que se prove o contrário.

-Pra mim, pensar assim é sinal de preconceito, pois ser gay não é "errado", logo não há culpado.
...
Se em determinados casos, optar pelo caminho de que "à princípio todos são inocentes" for uma forma de preconceito -por teoricamente esperar comprovação de um lado culpado que no caso não seria o hétero- , que será do que nos leva a apresentarmo-nos sem aparente condenação, mas que ao mesmo tempo frisa "não colocar a mão no fogo por ninguém"?
Essa mão no fogo não seria para não correr o risco de se queimar? Esse fogo não viria a ser um perigo, um risco, um erro? Isso não seria condenar ao mal e agir com preconceito?
Ambas as expressões podem ter sido apenas mal empregadas. Pode ser que em ambos os casos não haja preconceito enraizado na intenção. No outro extremo, pode ser que os dois tragam opiniões negativas.
A única certeza nesta história é que o melhor mesmo seria não se levar a frente o tipo de comentário da primeira frase. Não por hipocrisia ou falso-moralismo, não para esconder da sociedade ou coisa parecida, mas sim, por ser totalmente dispensável, não acrescentando nada e nem dizer respeito a ninguém.
...
Antes eu reclamava que não pensavam no que diziam.
Agora já não se pensa mais nem no que se pensa.

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