16 de mar de 2013

Imprevistos de hoje, previsões de amanhã

Não sei bem ao certo como isso se deu. Hoje durante a reunião, estava lá eu, no meu canto, repensando em tudo o que me vem acontecendo de uns meses pra cá, e tive uma espécie de visão. Na verdade, me parecia mais uma previsão. Uma visão antecipada do futuro, é isso. E nessa percepção estranha, não me reconheci. De pronto não entendi porquê, mas depois que comecei a refletir com mais dedicação, compreendi -apesar de ainda fazer careta para a conclusão.
Pois que nessa previsão, eu, do alto do meu orgulho (que possui cinco vezes o meu tamanho, segundo cálculos matemáticos), definitivamente não conseguia virar as costas a quem hoje faz de tudo para colher a rejeição do modo mais cruel nesta vida.
É muito estranho você imaginar as coisas lá na frente e não entender como é que irá reagir de modo tão diferente do jeito que se encontra hoje, muito cheio de rancor e sede de "justiça" -leia-se vingança. Porquê precisamente hoje, eu condenaria para sempre, ignoraria sem dó nem piedade, deixaria de lado com muito prazer. Juro que queria mesmo esquecer!
Mas esse conhecimento que me chega em mãos ao longo dos últimos tempos, parece que tem vida própria, de tão forte que se apresenta. E não só o que chega, mas o que fica. Tenho enterrado de forma displicente e indiciplinada na alma sementes diferentes de tudo o que atualmente ainda colho. Esse conhecimento e seus hábitos reflexivos, vem se entranhado em mim de maneira tão sutil que a curto e médio prazo não há como ter noção de mínima evolução. Pelo contrário, achava até impossível esse tipo de consequência, dada a minha personalidade tão tosca e estagnada em determinados aspectos.
Na visão entendi que vinha sendo plantada a renovação das considerações, pouco a pouco, sem aparentes grandes esforços, apesar de vez ou outra sentir algum incômodo mais sério. Certamente, é obra da consciência. Apresentaram-se na visão, sentimentos e atitudes que atualmente ainda não estão aptos de serem colhidos, mas que certamente, daqui mais um tempo estarão. E o pior dessa história toda é que olhando hoje, ainda encoberto de orgulho e cobrança, não gosto da ideia. Mas sei também que no passar do tempo terei outra percepção do perdão. A compaixão me falará mais alto, espero. Vou compreender esses frutos de outro modo.
Acredito em utopias palpáveis, realistas.
...
Gosto muito da definição do escritor uruguaio Eduardo Galeano sobre a utopia, que diz o seguinte:

"A utopia está lá no horizonte.
Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos.
Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos.
Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei.
Para que serve a utopia?
Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar."

Não posso garantir a mudança do outro lado, mas certamente a de cá já está dando sinais de vida inteligente. Prática, ainda são outros quinhentos.

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