31 de dez de 2012

Desacato Público: quem é o ofendido?


O médico concursado não pode simplesmente faltar ao seu plantão por não concordar com sua escala de trabalho. Fora o fato disto ser uma desculpa esfarrapada das mais absurdas, se fosse realmente uma justificativa, seria preciso que o funcionário público -quando na intenção de retaliar contra seus superiores-   lembrasse que o contribuinte já pagou seu salário. Se ele não recebe o suficiente -o que considera justo, se o valor está defasado ou atrasado- não é o contribuinte que deve sofrer as consequências.
Mas infelizmente, é a postura da grande maioria do funcionalismo público, que de tão protegido pela lei, se vê como um prestador de favor e não de serviço. Por uma interpretação equivocada, muita gente que almeja ocupar um cargo público qualquer, só vê as vantagens que angariará em caso de aperto: a tranquilidade de não precisar ser cobrado pelo serviço exercido muitas das vezes de maneira porca; a estabilidade de não ser demitido por falta de produtividade, muitas das vezes emendando licenças "por direito de lei"... e tantas outras oportunidades.
Quando a sociedade observa um caso como o ocorrido aqui no Rio -que a gente sabe que ocorre em qualquer hospital público do país-, a sensação que temos de impunidade é baseada na desculpa fajuta do servidor público que sabe que não será cobrado e que terá seu crime acobertado pela lei e por outros crimes conseguintes. É triste observar que o ser humano, quando comete um crime, ainda se esquiva da responsabilidade de forma tão fria, como se não trouxesse qualquer traço de consciência.
Em momento algum, o neurocirurgião demonstrou noção sobre as consequências da sua "retaliação". Um ser humano teve seu estado ainda mais agravado pela falta de atendimento de emergência. A menina vitimada de bala perdida poderia não ter sobrevivido mesmo que fosse atendida imediatamente, é fato. Mas isso não cobre o tamanho do buraco que esse funcionário público fez. Ele é um irresponsável e deve pagar perante a justiça o preço da sua negligência. Infelizmente estamos cheios de "exemplos" como este. Funcionários públicos que mais uma vez, visam apenas o cargo e sua estabilidade.
Como em outras vezes já escrevi, tenho muitos amigos assim: concursados, orgulhosos por superar tantos candidatos, mas fora isso, são péssimos profissionais, péssimos prestadores de serviço. Não trabalham, se arrastam em nome das vantagens que objetivavam desde antes de ocuparem o cargo. É preciso mudar esse modo de ver as coisas, de buscar e de agir.
Eu graus variados, se um funcionário público decide entrar em greve, ele não está recrutando o apoio da opinião pública, o peso da pressão do contribuinte que é quem lhe paga o salário. Ele está apenas punindo este mesmo cidadão ao tentar atingir o governo. E o pior é que o povo não compreende que o serviço público não é gratuito. Nós mesmos justificamos a falta de qualidade pelo mesmo ser público, com o pejorativo de "sem recursos". Não! Tudo consome altos recursos. Nós pagamos por tudo, por cada funcionário, inclusive os que não trabalham, que estão emendando licenças mal intencionadas!
Quando um professor ou um médico ou um bombeiro entra em greve por salários defasados, por melhores condições de trabalho, o maior prejudicado é quem paga os impostos que vão sendo somados para, entre outras coisas, pagarem seu salário defasado.
Se quiserem o apoio do contribuinte, do povo, que trabalhem com dedicação máxima, respeitando aqueles para os quais devem prestar o serviço. É assim que terão o suporte daqueles que pesam na opinião pública.
As coisas andam de um jeito em que somos escravos daqueles que pagamos o salário. É um absurdo! Não deveria ser assim, mas existe um clima de guerra entre o funcionário público e o contribuinte. E ainda temos de ver e viver situações como a enfrentada pela menina baleada e mal atendida no hospital Salgado Filho. O que se constatou até agora foi sua morte cerebral.
Será que vai ser apenas mais um (des)caso como tantos outros? Afinal, são pobres, são pessoas humildes, sozinhas no meio da multidão, e ainda por cima perdidos em meio ao caos do reveillon na cidade maravilhosa.

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