24 de nov de 2012

Vale mesmo todo sacrifício?


Não tem jeito. Quem tem um espaço nas redes sociais mais movimentadas, está sempre inevitavelmente forçado a encontrar -e ler- coisas compartilhadas de formas absolutamente instintivas, passionais e até impensadas. E está também, incapacitado de evitar observar o que domina a personalidade das pessoas -e que se expõe- justamente nestes momentos.
Acho interessante, porquê se de um lado certas "pérolas" nos fazem torcer o nariz, de outro, as mesmas nos proporcionam oportunidade para o exercício da reflexão... sobre nós mesmos.
Não é a primeira vez que leio uma conclusão dessas, que não me desceu redondo, e que referia-se a um momento presente, que exigia sacrifício relativo, na previsão de um futuro "certamente muito mais tranquilo". E o pequeno texto, escrito sob uma tentativa clara de aplacar o inconformismo de quem se sacrificava em questão, mostrava que "aquilo tudo certamente valeria à pena amanhã, quando olhasse no contra-cheque o valor do salário conquistado"...
Aí questiono mais uma vez por aqui: será?! Será que a tal da tão almejada felicidade pode ser coisa tão tangível assim, limitada num determinado espaço físico, de forma tão simples e alcançável?!
Basta a gente observar se o que desejamos para sermos completamente felizes neste momento já está sob nosso alcance. Geralmente não está...
Pra quem não tem saúde, é a cura do corpo.
Pra quem não tem dinheiro, é o próprio.
Pra quem não tem emprego, é uma oportunidade de trabalho.
Pra quem tem emprego, é uma promoção.
Pra quem está à pé, é um carro, uma moto.
Pra quem tem um carro velho, é um carro novo.
Pra quem está carente, é uma companhia.
E por aí vai.
As coisas parecem se resolver muito facilmente... Mas a realidade raramente condiz com essa visão.
Todos os que atingiram seus objetivos materiais -e ficaram limitados a eles-, pouco tempo depois de constatarem o sucesso, sentiram-se imediatamente frustrados. Continuou faltando alguma coisa aparentemente inexplicável.
Quando questiono se essas conquistas superficiais -por mais admiráveis que aparentem ser- garantem um amanhã feliz, geralmente ouço coisas como: -felicidade talvez não, mas tranquilidade sim. É a nossa mania de rotular as coisas tentando assim (inutilmente) separá-las da mesma origem. É um disfarce, uma ilusão. Afinal, uma não está ligada diretamente à outra? Alguém consegue ser feliz intranquilamente? Ou, ser tranquilamente infeliz? Se sim, tem alguma coisa errada...
...
Triste de quem elege um ponto material no futuro como o responsável direto pela garantia da sua felicidade mais duradoura.
Infeliz a consideração de quem valoriza apenas o que pode ser ostentado aos olhos do mundo, para finalmente torna-se destacado frente a multidão.
Iludido aquele que acredita no ressarcimento absoluto, na compensação à altura das suas expectativas, por todo o excesso de esforço feito pela conquista de tesouros perdíveis.
Por isso mesmo, tantos e tantos crescem, conquistam, constroem a vida toda, gozam por meros instantes... e, consequentemente, permanecem decepcionados, frustrados, infelizes.
Pra começar, a gente nem sabe o dia de amanhã...
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Sinceramente? Repito: eu quero é ser feliz de verdade! Pra ontem! E sem precisar ostentar nada aos olhos de ninguém.
Porque pra quem é feliz na consciência, no pouco e às vezes até na solidão, o céu é o limite.
Isso pra quase não comentar que na verdade, a graça infinita de Deus é que é o limite.
Que não liguem pra esse texto os amigos que calam suas consciências sob camadas de ambição, status e ostentação velada, preocupados mais em mostrar o que conquistam do que em possuir as mesmas coisas.
Só me respondam: porquê então não conseguem fugir da sensação de conquistarem o mundo e permanecerem vazios?
Por que precisam da agitação permanente das sensações físicas como isca dissipadora da realidade?
...
Vejo tanta, mas tanta gente baseando seu futuro nas coisas que virão a conquistar materialmente, com o que vão receber no fim do mês e com a estabilidade de um cargo público. Tantos amigos que alcançaram o dito "objetivo" através de um concurso, sendo hoje muito bem remunerados e, infelizes que estão, realizam seu trabalho de forma tão arrastada, com tanta má vontade... Tão preocupados que estavam com as vantagens materiais da vaga que desconsideraram irresponsavelmente os encargos da mesma!
Outros, em empregos privados, são tão escravos do bom salário que afastam-se de quem os ama, com o pretexto da luta pelo seu conforto... Será que estes valores lhes compensarão o amargor, a provável falta de saúde e a frieza dos amados na aposentadoria? Será que chegarão a envelhecer com dignidade? Ainda acreditam eles que sim...

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