2 de mai de 2012

Orgulho é pros fracos...


...Se sentir que deve, corra atrás mesmo. Sem medo.

Um dia, conversando com um amigo que estava pela primeira vez perdidamente apaixonado por uma mulher, ouvi daquelas perguntas típicas dessas horas:
-Já perdeu a fome por alguém?
E como eu poderia mentir que não? Lembro-me até que certa vez havia uma pizza à minha frente, no dia seguinte ao primeiro beijo de uma grande paixão que vivi, e eu simplesmente não senti qualquer traço de apetite. Logo eu?! Estava como que totalmente saciado por aquele turbilhão. Aliás, aquela era a primeira paixão recíproca que eu vivia.
E tão súbito foi o início daquela situação, que assim também ela terminou. Foram seis meses de cerca-lourenço e uma semana de raros beijos. Acabou pra ela. Eu era muito fora do tempo, muito duro, sem habilidade alguma. Só sabia elogiá-la e ver perfeição em tudo o que pensava, dizia e fazia... Quão tolo fui! Ela já tinha tudo isso. Decepcionou-se com tão pouco. Enfim, não deu química.
Do meu lado, o sofrimento percorreu minha alma por quase dois anos, em silêncio. Sinceramente pensei que aquilo nunca se apagaria de mim. Aprendi já naquele tempo que afastar-se é sempre o melhor remédio quando um dos lados não se desliga. Mas confesso, foi extremamente difícil. Só de passar "sem querer" por sua rua, tudo em mim se revirava. E olha que nunca a encontrei nessas passagens...
Por outro lado, a gente sempre se esbarrava sem qualquer querer, de verdade, em lugares inusitados. E voltava tudo a me remoer por dentro.
Mas sem saber ao certo quando, aquilo um dia passou e eu nem havia percebido.  Simplesmente passou, como uma ventania.
Quem nunca perdeu a fome, o sono ou a fala por alguém, está mentindo ou não tem ideia do que signifique a palavra plenitude.

Depois desse flash, que não durou mais que milésimos de segundo, só me restava dar força ao seu jejum:
-Quem não, meu querido? Corra atrás dela. Dê seu máximo. Faça a sua parte...

Mas o privei do resto da história... Meu amigo também tinha o direito de experimentar o sabor da expectativa sobre aquele momento que parecia imensurável, independentemente do resultado final. E isso sem qualquer influência, mesmo que a mínima -porém perniciosa- experiência negativa de um amigo que lhe queria bem.

8 comentários:

  1. Paixão meio que anestesia, eu acho....
    E nesse estado parece que há uma inversão de necessidades, não é?!
    A vontade de comer se vai, na verdade acho até que ela se transforma. No final, o que se sente é só a fome que você tem do outro mesmo.
    :)

    Beijos!

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    1. É Daizinha... Tá poética, heim? Acho que é exatamente isso mesmo.
      Que bom que apareceu de novo!

      Beijos!

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  2. Me lembrou muito o poema que postei hoje. ^^

    Quando se perde a fome, é porque a coisa tá feia mesmo. euheuheeuheuhe
    É melhor correr atrás pra não se arrepender depois, e ficar no "como seria se?" (e que tortura...)
    A gente sabe que esse "encanto" sempre acaba, mas ninguém pode privar-se de tentar. E dizer pra alguém não fazê-lo, é crueldade, sinal de amargura.

    Beijos!

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    1. E Gláucia, estragar o prazer alheio por conta de pessimismo pessoal não é comigo não...rs
      Ainda: tem coisa pior que não arriscar e ficar na dúvida do 'se'? É mil vezes pior que qualquer 'desencanto'...

      Obrigado pela presença!
      Beijos!

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    2. Conheço uma pessoa que adora fazer isso, e que coisa mais chata! rs
      No desencanto você está "livre" pra partir pra outra, meio que enjoa, sabe.
      Na dúvida, nunca sabe como teria sido.

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    3. E não é? E tem gente que reclama que se desencantou ou que se desiludiu... Curtem então viverem só de sonho? Pra mim não serve. Tenho que tirar a dúvida. E impossível é não se expor pra tentar o possível...

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  3. Já passei por isso! Não digo que todos já passaram, mas acredito que, uma hora, ninguém escapa dessa perda de apetite.

    Eu sempre acreditei, também, que nem tudo se pode aprender pela experiência dos outros. A gente tem mesmo é que dar a cara a tapa... Viver! Só assim a gente aprende.

    Até porque cada experiência - assim como cada pessoa - é única. E quem sabe a experiência do seu amigo não seja menos traumática (perdoe-me pelo "traumática", acho que exagerei, não? rs.)

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    1. Não exagerou não, Monie!rs
      O dito "trauma" um dia virou história, como tantas outras que guardo até com carinho. E aquele que não tem histórias pra contar, ou não viveu ou nunca sonhou.
      Como eu disse, quem diz que nunca passou por isso, certamente nunca se entregou de vez ao que sentia ou ao que nutria com expectativa.
      E como você disse bem, eu também sempre preferi dar minhas próprias cabeçadas por aí. Isso teve bons e maus resultados, mas foram todos válidos.

      Obrigado mais uma vez pela presença e participação, querida.
      Abração!

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