14 de out de 2011

Pessoas e Momentos

O dilema continua. Observo tudo detalhadamente e, apesar de muito fraco naquela coisa de "entender meias-palavras", penso que talvez possa ser sim, que eu esteja sendo estimulado a sair da inércia, a tomar uma iniciativa mais incisiva, partir pra conquista do "território" e dominá-lo, como um bom macho predador o faria. Mas a coisa não anda tão fácil e nem sou um predador tão primitivo assim.
Sou muito ruim em mímica, em linguagem de olhares e em mensagens subliminares. Aliás, ruim é pouco... sempre fui péssimo nisso. Quando -no mínimo- não perdia muito tempo até descobrir o que se dava, cansava mesmo era de perder grandes oportunidades. Maldita incapacidade.
E lá vinham aquelas legendas:
"Ah, dizendo aquilo, eu estava dando a entender que..." ou ainda "te dei todas as indiretas para que você percebesse que..." ou ainda "quando faço assim, significa que..." ou "quando passo a mão no cabelo, olho assim, falo assado, é que..."
Não! Definitivamente essa mania feminina de achar que advinhação é comum aos homens não ajuda. Sempre fico na dúvida. E na dúvida, fico na minha. Pro bem de todos, pro bem geral da nação. Então, prefiro que fique cada um na sua e a amizade continua.
Mas o ruim é que, em geral, a mulher ainda se acha no direito de ficar chateada, como se fosse obrigação do homem perceber alguma coisa além dos seus cinco limitados sentidos... Não basta protegê-la das ameaças da natureza desde a idade da pedra, ainda quer que sejamos "médiuns ostensivos"?
Tudo bem que a sedução feminina é muito bem vinda, que aquele joguinho bem sutil é muito agradável... Vocês fazem aquela coisa de "poder sedutor" e nós fingimos cair irresistivelmente e tal... E vocês ficam satisfeitas, e nós também. Mas mesmo assim, fico sempre meio perdido se a coisa não for muito bem definida.
Estou desatualizado, minha gente. Sem ritmo de jogo, entende? Sem praticar de forma mais séria, perdi o tempo dessas jogadas mais estratégicas. Acabei me acostumando com um pega e larga sem sentido e que me fez dar uma esfriada. Estou mesmo ficando velho pra essas coisas!
Então se tiver que dizer, que seja digamos, um tanto diretamente. E aí sim, terei a certeza do que fazer... ou não. Não sei.
Bom, (quase) resolvida essa primeira questão, sigo pra segunda.
...
Quando alguém me pergunta -sempre tem quem pergunte- como seria a pessoa ideal pra mim, respondo a mesma coisa há anos: a pessoa certa, na hora certa, no lugar certo. 
Mas e a beleza? E a personalidade? E o service pack? Pra mim, tudo isso é muito relativo e, ao mesmo tempo, já está incluso no conceito de pessoa certa. Na hora certa, significa que o momento é bom, com tempo suficiente pra a dedicação e atenção, ao sentimento e tudo o que isso implica. E o lugar certo... é o ponto de convergência que nos faz cruzar os caminhos. O lugar no espaço em que nossos destinos se encontraram.
Mas quem dera se a gente sempre seguisse esse mapa... Em geral, queremos mesmo é transformar em "pessoa certa", aquele ser que dá a entender -desde o princípio- que não vai dar certo. Teimosos, fantasiamos essa pessoa com uma perfeição além das nossas expectativas. Montamos um altar com ares de divindade e passamos a venerá-la sem sequer inteirá-la do assunto. E quando enfim, a ficha da realidade cai, dizemos que a tal pessoa nos decepcionou. Mas não com a ideia de que a decepção se deu com a nossa expectativa. Não. Parece mesmo que ela nos enganou de modo sórdido. E foda-se: "O mundo tem de pagar por isso". Afinal, coitadinhos de nós, bons demais para esse ambiente cruel...
Até com relação ao momento, nós pensamos sempre ser imperdível. Quase não nos damos tempo pra meditar a sós e vivemos engatando uma relação na outra, como que tentando não ter tempo pra olhar pra dentro de nós, evitando assim, dar de cara com o grande nada que nos preenche. E aí, continua o drama: é só decepção... com os outros, claro.
"Esperar pra que? A vida é muito curta!" -todos agem assim. Mas o pior é que seguir nesse ritmo, só aumenta o abismo. Conheço mesmo gente que, se parar um segundo pra se observar, vai entrar numa depressão monstruosa. Vai enxergar que a vida se encontra estagnada. Vivem felizes se cercados de "amigos", cometendo todo tipo de excessos, no limite das próprias forças, dia após dia. Mas tudo o que é superficial, um dia se revelará duramente e sem chances de fuga.
Já ouviram aquela passagem que diz mais ou menos assim "O que Deus uniu, o homem não separa"? Pois é. Pode ter certeza de que esses são os tipos de uniões em que Deus não tem nada a ver... O ser humano força uma situação, se envolve, assume compromisso e não considera os riscos.
Tem muita gente aí se aproximando e se unindo sem amor algum, apenas por desejo, por tesão, carência, status, interesses puramente materiais... E nessa, criam vínculos pro resto de suas vidas, através de sentimentos negativos ou mesmo de filhos, vítimas da insensatez daqueles que são seus meros fazedores. Quanta gente não vai da paixão avassaladora ao encontro do crime e da morte, da noite pro dia?
Começou mal, não há como terminar bem.
Tem quem não queira aguardar uma pessoa ou um momento melhor. Já vi até quem dizia correr atrás do momento e do lugar certo porquê, segundo aquela música, "quem sabe faz a hora, não espera acontecer", quando na verdade, era ela mesma a pessoa errada, no momento e no lugar errado. Certamente, ia fazer um estrago na vida da tal pessoa certa...
Tem quem não consiga ter paciência diante do tempo da vida. Quem na verdade não se ature só. Tem quem busque -à qualquer custo- algo que esconda o seu imenso vazio existencial. E são justamente estes que não entendem aqueles que sabem esperar. Não acreditam que existem pessoas que têm outras prioridades e importâncias na vida, além de fazer parte de um círculo social, de ter "companhia no dia dos namorados". Mais uma vez, aí se encontra mais um ser que limita o mundo inteiro por si mesmo. Encontrar alguém é uma consequência de um momento da vida e não um dos objetivos da mesma.
O imediatista é um pessimista disfarçado, um egoísta velado. E o pior é que ele não se vê assim. Talvez, só consiga enxergar sua realidade no dia em que perder quem ama ou que não conseguir amar quem realmente queira. É um trabalho muito difícil deixar de ser assim. Até hoje eu luto contra tudo isso. Sim! Afinal, sou um sujeito absolutamente normal, cheio de defeitos, de medos, inseguranças e limitações. 
Talvez, a minha vantagem seja me permitir conhecer melhor os pontos fracos, e disfarçá-los de forte ou deixá-los expostos na vitrine.
Quem me dera se o fato de compreender finalmente o funcionamento das coisas da minha personalidade, trouxesse a transformação de forma automática das tendências do meu caráter! Quem me dera!
Mas agora, consigo também observar com clareza maior que a vida -muito raramente- está totalmente sob nosso controle. Apesar do livre arbítrio nosso de cada instante, Deus -apenas às vezes- nos dá esse gostinho, mas ainda somos muito imaturos pra tamanha responsabilidade. Logo Ele nos divide as decisões da vida com as mãos de outras pessoas, e nos vemos freados, delimitados e até mesmo encurralados. E é assim que se vive e se evolui.
Nesse momento, vejo o barco da minha vida seguindo um rumo diferente do qual eu ordeno ao leme. Eu forço e me esforço, mas tudo parece inútil. Parece que o ponto de convergência é, na verdade, um doce ponto de colisão. Pouco à frente, destinos preparam-se para se cruzar de forma inevitável.
Eu vejo uma outra vida em meu caminho. Vejo um outro caminho em minha vida. Tento fugir, mas já não consigo. Já penso muito no que venha a acontecer, já busco estar preparado pro momento do impacto. Já ouço o canto da sereia...
Mas o que se apresenta mais curioso nesse caso, é o fato de parecer muito ser a "pessoa certa"... mas no momento errado. Observo detalhadamente e reconheço que ela pode mesmo "ser o meu número", estar na medida daquilo que eu preciso. Mas, quando olho pros lados, só vejo um imenso caos à minha volta. Há em meu momento atual, uma total escassez de possibilidades. Não consigo identificar portas abertas. Falta-me tempo, falta-me recurso, esperança e até mesmo coragem. Ou seja, tenho quase nada a oferecer.
Qualquer que seja o nível de envolvimento, um mínimo de dedicação é exigido, ou quem sempre dá fica doente, e quem sempre recebe, fica mal acostumado. E agora? Mais que não desejar ser cobrado pelo que não posso oferecer, não gostaria de criar falsas expectativas... Já passei dessa fase de promessas falsas. Já faz um tempo em que só jogo com as peças que tenho em mãos, que só concretizo se houver a possibilidade. Será que alguém suportaria aceitar essas condições? Será que valeria arriscar uma tenra, porém imprevisível amizade? Será que eu aguentaria sustentar APENAS essa mesma amizade, sem nada além?
Os sinais parecem claros. Os olhares tímidos e desejosos, a preocupação, a busca pelo toque, pelo calor, pelos abraços, pelo conhecer, pelos detalhes, o querer sorrir, o querer ouvir...
O alinhamento das órbitas parece mesmo fatal.
...
Mas já pensou se tudo isso for só fruto da minha imaginação?

4 comentários:

  1. Flávio,
    Eu , quando não sei o que fazer, não faço nada.
    Com o tempo, sempre um caminho é visualizado.
    O segredo é a paciência...
    Obrigada pela visita.
    Abs

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  2. Falar de vida, é sempre complicado, não é mesmo? Não existem regras válidas pra todas as situações, mas a graça é justamente esta. Somos movidos por dúvidas. Obrigada pelo belíssimo comentário em meu blog, fiquei muito feliz, será sempre um prazer recebê-lo.

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  3. Verdade, Vera...
    Obrigado pela visita, pela reflexão e pelo comentário.
    Beijo!

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  4. Thaís, agradeço muito pela sua presença também!
    Beijocas!

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