26 de out de 2011

Pé no chão: Não me iludo comigo

Cheguei à conclusão que estou longe de ser o sujeito gente fina que insistem em me pintar, em observar superficialmente. Esses, percebe-se, quase nada me conhecem.
Ao contrário do que se apresenta aos olhos menos atentos, não posso me dar o direito de sentir orgulho ou me envaidecer pelos que de alguma forma me evidenciam, por mais que essa ideia -às vezes- tente me seduzir. Estão equivocados. E eu também estarei se me deixar levar.
Observo que não me basta cumprir alguns deveres -e mesmo que eu cumprisse todos!- para sentir-me à vontade em ser identificado com uma pessoa de bom coração, de alma nobre.
A boa vontade anda distante das minhas ações, dos meus cumprimentos. Pior, muito distante das minhas intenções. Faço sim, mas por compromisso e sob pressão da consciência. Boa vontade então, é artigo muito mais raro em meus propósitos. Muito infelizmente, estou sendo o mais sincero que me permito. E, ao contrário do que possa deixar transparecer, sinto profundo lamentar cada vez que ouço essas avaliações mal analisadas.
Por dentro, ainda me pego indeciso ao dedicar-me na realização de eventos que não têm o meu absoluto interesse individual. Até sinto-me bem quando os cumpro, mas dada a minha tendência ainda muito egoísta, sinto-me constantemente indisposto em começá-los. Assim, me observo sempre procurando desculpas e justificando outras prioridades veladamente, mesmo que no fim, resolva pelas mais necessárias.
Já cheguei a conclusão que não cumprir meus deveres me incomoda muito mais que cumprí-los.
Isso é ser bom? Claro que não. Mas tem gente que vai dizer que "sim", que "é um sinal de transformação", "uma diferenciação", etc.
Não aceito mesmo qualquer reconhecimento ou elogio! Não por possuir uma falsa modéstia ou uma humildade sincera. Não aceito essas identificações por saber bem das minhas intenções íntimas ao fazer.
Isso nunca foi digno de orgulho.
Já me chamaram de idealista, outro rótulo que rejeitei. O idealista pode ser identificado por uma linha de ação paralela à necessidade individual. Ailás, o verdadeiro idealista segue pelo caminho do interesse coletivo. Logo, não sou um desses.
Eu ainda não mudei, por mais que eu gostaria de identificar essa mudança.
Enquanto eu continuar pensando que estou mudando, enquanto eu estiver me preocupando com a imagem dessa alteração de conduta e postura, nada mudou ainda. Seguindo por essa constatação, meu foco é a luta, a caminhada.
A mudança se dará quando eu não perceber que mudei, quando cumprir meus deveres sem dar-lhes qualquer importância, sem sentir o peso da dúvida, sem mais haver qualquer sombra de vacilo. Quando considerá-los apenas deveres comuns e eu os realizar com total desinteresse egoísta.
Ratificando: quando esses deveres passarem de obrigação à atos de boa vontade, sem qualquer intenção de elevá-los e destacá-los diante dos homens, quando não me incomodar aquele que não cumpre seus deveres, quando não mais criticá-lo por isso... aí sim, estarei transformado. E ainda assim, não me considerarei bom. Saberei apenas que absorvi as lições da caminhada, que aprendi em definitivo com o resultado das lutas.
Que fique bem claro a todos os que só me olham por fora! Não importa o que eu mostre, o que eu faça: não estou acima de qualquer expectativa que beire à uma perfeição relativa. Vivo sob o risco constante de decepcioná-los.
Está avisado.

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