8 de jul de 2011

Quer saber da verdade?

Há em mim uma grande e estranha necessidade:
A gigantesca obsessão em te proteger.
Te cuidar, alimentar, vestir, pentear, enfeitar, adormecer.
Reservar-te da tristeza das perdas, das faltas, das mortes.
Proteger-te até confirmar que tudo isso é realmente loucura.
Que é impossível te esconder da vida e esconder a vida de você.
No fundo é apenas medo de que desvies o olhar além dos meus domínios.
Receio de que prove outros sabores... e que goste deles.
Que parta mundo à fora e à dentro, sem olhar pra trás.
Pior! Que seja mais feliz, sinceramente feliz.
Ver-te escapar das minhas mãos e perder o tesouro que é você...
Não mais inspirar tua alma bailarina a dançar inocente.
Ou mesmo ouvir pedir-me carinho e atenção em canto.
Falsear te afastar da vida, para que a vida não te afastasse de mim...
No fundo, minha preocupação não passa de insegurança desequilibrada.
Possessividade, podre fruto do meu egoísmo.
Por bem, sei que privar você da vida... seria minha maior condenação.
Assim, enclausuro tudo isso e vou agonizando, definhando sem te incomodar.
Tudo para que minha loucura não dispare o alarme e acelere o teu despertar...

4 comentários:

  1. Querido Flávio,fiquei lisonjeada com o seu comentário,desde já agradeço,de coração.Fiquei admirada com o seu belo português,parabéns.E encantada com o seu texto.

    '' Assim, enclausuro tudo isso e vou agonizando, definhando sem te incomodar. ''
    Gostei muito dessa parte. L/

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  2. È uma verdade inconveniente, mas, amar é (também) ser egoísta, não é mesmo?
    Ocorreu comigo numa experiência terrível: minha prima ofereceu o seio ao Hugo, e este, faminto, não recusou o alimento. Fiquei péssima, pois é uma coisa que jamais poderia oferecer ao pequeno, por mais vontade que eu tinha de amamentar. Fiquei muito triste por não ser o meu peito que ele sugava com tanto prazer, e senti raiva e inveja da gentileza e disponibilidade dela. Depois, sozinha, percebi o quanto estava errada, o quanto fui injusta, e senti vergonha de meu ato, mas entendi nisso que, enquanto humana sou passível de ( muitos) erros. É necessário portanto, nos perdoar, coisa que até hoje não sei bem como fazer...
    Cometeremos erros por amor, por ainda não sabermos amar, mas, por instinto, permitiremos que a escolha certa seja a aplicada. Como se sabe que será o certo a fazer? Acho que é quando colocarmos o bem estar do outro frente ao seu, foi o que aprendi com o episódio da amamentação.

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  3. Bittersweet, as pessoas são diferentes, mas as sensações e os sentimentos são os mesmos, né?
    Que bom que gostou!
    E continue escrevendo sem esmorecer!
    Beijão!

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  4. Roberta, minha querida! Que surpresa!
    O nosso 'amar' AINDA é egoísta...
    A gente é muito condicional, exigente, melindrado, inseguro... uma lista gigantesca de artigos que são derivados diretamente do nosso próprio egoísmo.
    Mas como você mesma já está praticando, 'o bem do outro está à frente do nosso'. Apesar da dificuldade que você ainda tem em digerir a sensação, já é uma grande conquista!
    Eu só sei da teoria!
    Beijocas!

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