24 de dez de 2010

Natal: tempo de... pensar


Dizem tanto por aí: 'JESUS VOLTARÁ'...
Mas ao ver o quanto de embrutecimento e preconceito ainda trazemos, imagino que muito provavelmente, não o reconheceríamos novamente... e consequentemente, o julgaríamos e o condenaríamos mais uma vez...
Talvez, o esperemos chegar pelo menos de pele alva e cabelos castanhos, quase louros, como sempre o pintam nas imagens católicas...
Ou ainda acreditaremos que Jesus fará questão de chegar agora sobre uma carruagem de ouro, puxada por cavalos alados e escoltado por anjos e arcanjos.
Logo ele, Jesus - que pelo que contam - sempre viveu na mais absoluta simplicidade: nasceu num estábulo, numa cama de palha, ao lado de animais. Teve pais humildes e honestos.
Trabalhou desde cedo como José, carpinteiro... e quando finalmente assumiu-se como o novo messias -foi muito mais com conduta exemplar e com trabalho dignificante no auxílio - se asilava novamente simples nas casas de quem lhe oferecesse abrigo.
E se a nova Maria não o gerasse virgem, como foi da primeira vez?
E se o novo José não fosse tão trabalhador e honesto assim?
E se Jesus, fosse agora um filho de moradores de rua -de um catador de papéis e de uma prostituta, ambos viciados em crack? Se tivesse nascido sob um viaduto no subúrbio, sobre uma carroça de colher papelão, ao lado de vira-latas? Se ao invés de uma estrela guia, a luz que lhe indicasse o local da manjedoura fosse os faróis dos carros em noite chuvosa?
Qual o valor do menino que fora deixado imediatamente depois numa lata de lixo, ou na porta de um orfanato, de um centro de umbanda, pastoral, mesquita, templo, barraco ou mesmo mansão?
E se fosse negro? E se fosse rico? E se não fosse hetero? E se fosse mulher?
Perderia importância por não ter seguido o 'protocolo'?
E se -aos olhos do mundo- Jesus fosse inicialmente contra todos os nossos conceitos de 'certo', de 'bom' e de 'belo'?
Até porquê Jesus era 'do contra'... na visão dos homens, claro. Vivia para dar lições, para renovar perspectivas, para desmistificar as dúvidas... (Coisas que poucos gostam de perceber...)
E se assim viesse pra provar justamente o que deveria sempre prevalecer: a conduta e a intenção do homem diante do vida?
Talvez, por esse lado, a gente não tenha mudado muita coisa desde aqueles tempos...
Ainda estamos repletos de egoísmo, de orgulho e de vaidade. E por aí, temos máxima dificuldade de reconhecer as virtudes dos outros, mas adoramos evidenciar os erros e os vícios dos mesmos... Principalmente por reconhecimento de não termos competência de fazermos outra coisa -melhor ou sincera-, mas também por preconceito.
Se Jesus novamente voltará, eu não sei... mas se já voltou, pode nem ter sido notado por nós.
O sufocamos sem perceber... mais uma vez.

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