6 de nov de 2009

O Povo

O povo que tem emoção nas veias, em vez de sangue. Que tem o sorriso franco em contraste com o suor do cansaço que escorre na testa. Que foge da formalidade por ter no espírito a independência que acreditou ter conseguido às margens de um riacho. Que procura alternativa não por ser hippie ou vagabundo, mas por ser feliz diante da liberdade de poder mostrar que pode trabalhar mais... quando bem precisar, é claro.
Povo que aceita esmolas, sobras e até mesmo restos, porque não sabe distinguir muito bem uma coisa da outra. Porque elas se confundem com o que lhe é seu, por direito. Não sabe muito o seu próprio valor e o que merece receber...
Povo que leva vida de ovelha, que precisa de pastores, que precisa de um rumo pra se localizar, mesmo que seja um rumo errado, mal informado. Que precisa sentir dor pra perceber que entrou onde não devia, quando alguém avisou lá atrás, mas que prosseguiu porque suas massas prosseguiam também na mesma direção.
Povo que olha mas não vê, escuta mas não ouve e que quando consegue ler, não compreende. À princípio, podem ter o mesmo sentido, mas não o são.
Que confunde intransigência com personalidade forte e dor com necessidade. Que se acomoda com o nada que consegue e que reclama só por questão de costume vago. Questão de achar que só isso basta para mostrar que está insatisfeito...
Que cego de orgulho inútil, não consegue admitir que, abaixo de si, alguém acertou, conseguiu, venceu e agora oferece a mão... ou mesmo deixou-o pra trás.
Que prefere acreditar que as coisas podem acontecer barganhando com ocultos, esperando a sorte que nunca lhe bate à porta... e não por merecido e esforço próprio.
É povo... não pense nunca que é isso, que não pode ser melhor, que não pode evoluir, que tudo está perdido, que nos resta apenas o fardo pesado.
Até quando será suficientemente resistente pra continuar lutando contra seus vícios, erros e 'achamentos'?
Até quando a vara, a linha e o anzol estarão em boas condições para que se possa aprender a pescar o peixe que tanto espera que pule feliz em sua frigideira - sem lhe ter o esforço exigido?
Quantas feridas ainda o povo vai ter que abrir no próprio lombo pra perceber que não precisa de despertar (apenas) pela dor? Esforço sempre será necessário, assim como mártires e heróis silenciosos.
E quem disse povo, que a vitória sólida e permanente não exige esforço e sacrifício?

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