24 de set de 2014

Seria mais um pra sua estante?


Que se dane se minhas confissões escritas tornarem-se troféu no seu altar de ego!
Não serão grande coisa sem sair do papel mesmo...
E muito menos ainda serão perto do que eu poderia te oferecer em forma de calor.
Em realidade, não há riqueza maior do que o que senti ao você passar em meus olhos.
Nem a grande expectativa de te ter nos braços.
Nem mesmo alegria de você me querer.
E depois, por descobrir nas suas entrelinhas, a doçura, o encanto, a sedução.
Que então você descubra por mim, o valor que teoricamente possui, mas que muito provavelmente nenhum outro lhe entregará.
Dizem que estou traindo a classe masculina, dando o braço a torcer, revelando-me fraco.
Mas que maldito fraco é esse que confessa a força do que sente sem qualquer garantia de retorno, sem o tolo receio de sentir-se inferior?
No máximo passaria por incompreendido...
Não seria fraqueza maior a necessidade da autoafirmação numa cantada barata, perdida no ar, lhe constrangendo ou lhe expondo no meio da rua, de estranhos ou dos seus?
E salvo se você se envaidece e sente-se destacada da mesmice ouvindo esse tipo de coisa, só revelaria que me enganei a seu respeito.
Que por trás de tudo isso há apenas uma menina, imatura, infantil, como muita mulher aparentemente adulta por aí.
Seria mais uma e nada mais...
De que adiantaria a sua imagem, ser um mulherão desses de mais de um metro de setenta por fora, sem coragem, personalidade e emoção por dentro?
Escrevi a você uma carta, falando do que você possuía, do que percebi.
Que pode não passar de um papel amarelado pelo tempo, perdido num canto qualquer das suas coisas.
Ou a primeira página de um dos maiores romances que você poderia viver.
(Quanta pretensão...)

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