22 de ago de 2014

A magia de um simples passeio


Fazia tempo que meu velho avô não saía de casa.
Desde que veio morar comigo, raramente sai do quarto. No máximo, vai a sala apoiado por alguém -geralmente eu. Vai e volta para o leito ou sua cadeira. As pernas fracas, o fôlego curto, a idade avançada...
Hoje, na hora do horário político, arrisquei o convite: um passeio lá fora.
Pegamos a estrada. Passamos pela rua de sua velha casa aqui no bairro vizinho. Depois rumamos para a Praia de São Conrado (pelo Túnel do Joá), onde mostrei o apartamento onde com toda certeza morarei quando tudo se resolver, e seguimos para a Praia da Urca, onde avistamos o nosso ilustre Pão de Açúcar.
Os olhos do velho estavam atentos e vivos como há muito tempo não os via. Posso quase garantir que estava maravilhado com tudo aquilo. Viramos pra um lado, entramos em outra rua, voltamos em paralelo à orla.
Mais um pouco e acredite: chegamos a Avenida Gustave Eiffel.
Sim! Paris! Paramos em frente à Torre Eiffel!
Havia um ônibus de turismo -daqueles com dois andares e aberto em cima- por lá, cheio de asiáticos, bem em frente ao tradicional monumento francês. Ele achava graça de tudo.
Acabou o inútil horário político e começou a novela dele. O passeio também cessou.
No fim de tudo, à hora de dormir, detei-o, cobri-o, pedi a sua benção desejando-lhe boa noite e ouvi o seguinte:
-Obrigado pelo passeio...
Obrigado Google Street View.

2 comentários:

  1. Uma vez eu li que a tecnologia juntava os que estavam longe e afastava os que estavam perto. Achei encantador esse passeio que você fez com seu avô, certamente ele amou ter passado tempo com você enquanto se maravilhava de novo com o mundo. Sinto saudades do meu (:
    Beijos rimados pra você :*

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    1. Também já li e ouvi isso inúmeras vezes, mas penso que a tecnologia é apenas um recurso que depende das nossas mãos para ser transformada em arma ou ferramenta.
      Beijo grande, Vivian.

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