26 de mar de 2012

Ter razão à força é possível?


Não será o volume da voz ou a força que convencerá a razão. Jamais!
Voz alterada, ofensas, agressões... A imposição é a antítese da convicção. Menos ainda, a força física -sob a sombra da violência- nunca será sinônimo de certeza, de verdade, de razão. Ilusão é acreditar nisso... Mas acredita quem quer.
É sim, sinal de insegurança, de falta de argumentos, de ausência absoluta de fundamento. Um ato de extremo desespero diante da própria inaceitação e da constatação de que isto fere mais que qualquer crítica externa, que qualquer preconceito sofrido.
E quem agride, nada mais faz que revelar a própria fraqueza.
A agressividade, a violência é prova da imaturidade do ser. Frustação de quem percebe que só agride ao outro por não poder agredir a própria consciência, voz que nunca se cala, por mais imerso que se encontre na ignorância.
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Essa coisa de que "não se consegue ficar calado", que "se deve dar uma resposta à altura", que "se não falar, morre"... só serve pra dar voz ao nosso orgulho inútil. Essa nossa vontade de bater-boca, de por à prova nossa força, nossas frágeis convicções... é fruto da nossa necessidade de fazer o mundo se adequar a nós e não o contrário. Porque temos a ideia de que quem fala mais alto, quem agride mais, quem manda mais, que termina uma discussão... saiu de braços dados com a razão. E todo mundo vem comprando essa ideia ao longo dos tempos. De que sempre tem que haver apenas um lado vitorioso. Quem ditou isso? Alguém já parou pra pensar e observar o quanto essas coisas nos prejudicam muito mais que nos saciam? É só observar que quase nunca "falar tudo o que pensa" -e do jeito que bem entende- traz tranquilidade. Se isso resolvesse pra não haver mais ressentimentos -ruminação de sentimentos, melhor dizendo- até que valeria, mas é coisa que não acontece, sejamos sinceros. A gente sai até "vitorioso" de uma briga, mas o mal estar fica enraizado. Ou mesmo certos, pediríamos perdão. Ou recuaríamos e daríamos a mão sem humilhar ao outro. Ou superaríamos os atritos e as críticas sem qualquer rancor. Somos muito contraditórios...
...
Tenho andado me silenciando mais que o normal diante de discussões que não levarão a lugar algum, senão às ofensas inúteis, às críticas intermináveis e ao ressentimento inevitável. E juro: não tenho me arrependido. Estou me posicionando mais à margem daquilo que as pessoas podem estar pensando sobre mim. A que conclusão vão chegar, se o outro lado vai se achar vitorioso ou com a razão... paciência. Posso ler seus pensamentos, mas não posso mudá-los. Importa que eu sabia que meus argumentos me bastam à razão. Ponto.
O barulho nunca foi sinônimo de vitória, enquanto que o silêncio poder sim ser sinal de paz.

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