21 de ago de 2010

Da Luz à Sombra

Chegar à conclusão de não ter amado, não serve de justificativa pra nada. Principalmente pra ser perder a razão e o respeito, e menos ainda pra ser cruel.
Como 'não ter amado'? E tudo o que foi vivido, dito e feito?
Certo, então era amor... Mas, se era, como ter se desviado tanto do caminho? A ponto de ferir a alma de quem se diz amar? Não é essa a conclusão de que não teria jamais amado?
Ou então, não sabia, nunca soube o que é amor...
Diante do fascínio irresponsável, perder a consciência é detalhe que pouco importa...
É uma contradição fantasiosa, que subjulga a lógica e desafia a sanidade de qualquer um.
E os dias vão lhe passando morosos, num apertar alternado da angústia que o sufoca e o rememora. Dias mais, dias menos... mas todos os dias.
A 'sorte' é que quando lhes transborda a consciência dos fatos mais uma vez, já é madrugada, e ninguém precisa assistir a amargura que o toma por completo, todo ser.
Em poucos instantes, a transformação se dá, e ele passa a ser o próprio e sombrio amargor.
Recomeça então a luta pra subir o despenhadeiro que criou entre suas causas e seus efeitos. É justo.
Devia agradecer por ainda ter força pra tentar ressurgir novamente, por de baixo da vergonha e da dor que causou, o infeliz. Mas é assim mesmo... pelo menos, entendeu que não sabia nada do que antes pensava saber. Aprende-se então na dor.
Se agarra às cortinas do drama da própria vida inconsequente. Fazer o quê?
Quanta diferença entre o algoz e a vítima... Mas no fim, ambos são ruinas.
Como será estarem novamente, frente a frente, algum dia? Como se portar de pé, diante de quem sofre por sua postura desleixada?
Importa agora é que tudo se perdeu, sem chances de ser encontrado. Sem previsões de tempo...
Esconder as evidências, lutar por uma inocência que não existe... tudo é prova da fraqueza da sua personalidade e pequenez de vida.
Dê-lhe fortunas e prazeres sem fim e ele não conseguirá se esquecer do que fez...
Tirem-lhe braços, pernas... a própria vida, e ainda assim não merecerá seu próprio perdão.
Mesmo sufocado, é tentar respirar e seguir...
Tentando fazer da sombra solitária do seu triste ato, sua companhia e seu farol distante, para que não mais passe pelo mesmo caminho marcante, nem que nele tropece novamente e se veja como ainda agora, preso no visgo da consciência acusadora.
Tudo porquê bem no início do caminho, tentou se enganar.

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