28 de nov de 2011

O preço de um sorriso e o medo de sorrir

Percebo que ainda há em mim muito medo de buscar -com todo afinco que sinto ser capaz - alguma felicidade que me caiba.
É muito grande o receio que tenho de sorrir e, consequentemente, ser visto sorrindo por aqueles a quem muito machuquei e fiz chorar.
Temo que meu menor sorriso seja por eles identificado como um sinal de libertação de tudo o que lhes fiz, da falta de noção das consequências dos meus atos e até mesmo do esquecimento dos mesmos.
Mas o meu maior temor é que meu sorriso possa dar a impressão de que continuo iludindo os que me cercam hoje, os que agora compartilham de qualquer possível gesto semelhante de alegria que me escape pelo rosto. O terror de que alguém possa cogitar a mínima probabilidade de que os que convivem comigo nesse instante também venham a tornar-se futuras novas vítimas minhas, ainda daquela minha loucura, daqueles tempos que nem estão tão distantes assim.
Eu sei que o preço de quem se embrenha cegamente pela senda do egoísmo é perder qualquer credibilidade. Que diante da covardia descoberta não importam mais as palavras de honra, as promessas sagradas, as lágrimas de aparente arrependimento...  Seja lá o que for: tudo perde seu valor. É reto. Mas só descobri isso naquele dia. Então, foi tarde demais.
Quase que sempre, não me sinto à vontade para sorrir. Não me vejo mais merecedor dessa expressão tão simples. Justamente pelo sorriso ser tão leve e eu me sentir tão pesado, arrastando o passado. Vigio-me o tempo todo, incomodado com algum olhar de reprovação e até de condenação. Simplesmente não me sinto digno de poder levantar a cabeça novamente, de sentir-me livre, de olhar o mundo de frente e... sorrir.
No fundo sei que ninguém me impõe essas condições. Que podem jamais me proibir disso acintosamente. Sei de verdade, que tudo é pura obra da minha consciência acirrada. 
E tantas vezes, até que acho bem módico o preço que pago por tudo. E por isso mesmo, não acho justo... por eles.

14 comentários:

  1. - já não tenho tanto medo de sorrir, sei que um sorriso é algo valioso, mas ultimamente tenho distribuido.

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  2. Cleber, feliz do quem pode sorrir com vontade, sem ter medo.
    Abraço!

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  3. o conselho que eu te dou, é livre-se dessa culpa o mais rápido possível, você acha justo condenar a si mesmo por erros que você mesmo sabe que quando cometeu não era o mesmo homem que é hoje? meu bem, sorria, a vida é curta demais para a gente se preocupar com erros passados e com pessoas ao nosso redor.



    http://www.diariodagarotadevariasfaces.blogspot.com
    visita o meu blog? me dá esse prazer ;)

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  4. Hey, Flávio, joga essa culpa no lixo, esvazia essa mochila, guri.

    ;)

    Um beijo.

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  5. "Livrar-se da culpa"...
    Sério que contigo é assim, Garota?
    Não estou falando de uma culpa "simples" não...
    Falo de coisa séria, que traumatiza, que marca.

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  6. Luna, garanto que se tivesse como, eu já o teria feito. Mas quanto mais a gente sabe do peso das coisas, maior responsabilidade nos cabe, né...
    Beijo!

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  7. "Livrar-se da culpa"...
    Sério que contigo é assim, Garota?
    Não estou falando de uma culpa "simples" não...
    Falo de coisa séria, que traumatiza, que marca.


    - Comigo é assim sempre, ou pelo menos na maior parte das vezes, não é fácil, mas precisa de esforço para afastar sentimentos de vc auto-destruitivos, e mesmo que você fale que não é auto-destruitivo, me diga, meu caro, pra que serve a culpa? Tente livrar-se disso, se não conseguir, procure ajuda psico-médica ou algum outro tipo de terapia. Mesmo que a sua culpa seja algo extremamente traumatizante, parta da idéia de que nada é tão complexo que não possa ser amenizado, a vida depende do ângulo em que você a vê.
    ah, e para não esquecer, eu já respondi seu e-mail, demorei tempos para responder pois estava sem internet, mas já respondi e reenviei, espero que tenha recebido.
    grande abraço.


    www.diariodagarotadevariasfaces.blogspot.com
    visita o meu blog? me dá esse prazer ;)

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  8. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK ( o vou escrever num tem nada a ver com o texto) eu ri com teu comentário, minha avó é uma linda, eu só coloquei esse vídeo por causa dela ... e descobri que tenho sotaque :O

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  9. Eu, muitas vezes, nao consigo mais dar um bom sorriso quando estou perto de pessoas que eu, de uma certa forma, machuquei, eu mim sinto culpado e isso mim corroi bastante. Um dos motivos de eu tanto idolatrar a solidão é por isso, eu ja ter feito coisas pra pessoas que nao mereciam e mesmo depois de acertar as coisas eu ainda mim sentir culpado e nao digno de estar feliz perto dela, infelizmente (ou felizmente ) nao temos o poder de voltar no tempo e fazer as coisas que hj sabemos que é o certo. Eu mim solidarizo com vc pq eu tb carrego uma culpa dentro de mim que eu não sei como vai acabar.

    http://paulosergioembuscadotempoperdido.blogspot.com/

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  10. Você tocou no ponto chave, Paulo: a nossa veneração pela solidão não passa de uma fuga. Seja como autopunição, seja como não querer mais correr o risco de machucar alguém novamente.
    Nós realmente não podemos voltar no tempo, mas podemos tentar plantar coisas novas, em outros lados. Pelo menos, tenho tentado.
    Grande abraço, meu amigo!

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  11. Em minha humilde opinião, creio que não adianta você se poupar de sorrisos. Se você errou com algumas pessoas, o fato de você não sorrir em nada vai mudar.

    ''Temo que meu menor sorriso seja por eles identificado como um sinal de libertação de tudo o que lhes fiz''... Hoje você se preocupa com aqueles que um dia fez chorar, mas talvez eles não se preocupem mais tanto com você afinal. As pessoas se curam, se levantam, fazem isso de uma forma ou de outra, as que não fazem acabam na depressão, mas seu sorriso não vai impedir elas de se reerguerem. Pelo contrário, talvez com um sorriso sincero você possa ajudá-las, e se não puder, desperdiçar uma vida de sorrisos com amargura talvez não seja a melhor opção.

    Sorrir faz bem a alma, acho que se privar disso chega a ser crueldade consigo mesmo. Porém não posso opinar com mais certeza, desconheço os detalhes dessa história para fazer o mesmo rs'

    Enfim, até mais!

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  12. Não é à toa que te acho um monstro, Thiago.
    Deve ter uns 250 anos de idade e uns 400 de vivência, fale a verdade?
    Você disse algo que fez uma grande diferença pra mim, meu velho.
    Muito obrigado!

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  13. kkk'

    Imagina, fico feliz de verdade em poder trazer algo de bom, sério mesmo. Enquanto a minha idade, não passa de 18. Já a vivência, temo que não seja tão evoluída :S kkk'

    De nada, conte comigo. Até o/

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  14. E acredite, não estou fazendo média contigo.
    O que você citou em relação à "capacidade deles se refazerem" é algo que eu até sei ser possível, mas preferi sempre acreditar na incapacidade e nas consequências de um trauma insuperável.
    Agradeço de coração, Thiago.
    Abriu-me uma porta desconhecida e de esperança.
    Muito obrigado e você também, conte comigo.
    Abraço!

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